Bispos gays: quando a cultura é mais importante que a religião

16/06/2013 0 comentários

Na semana passada, a Igreja Evangélica Luterana da América (ELCA) votou pela primeira vez em um homem abertamente homossexual para que se tornasse bispo. Durante vinte anos, R. Guy Erwin foi banido do ministério ordenado na ELCA; em 2009, a Igreja Luterana levantou a proibição e ele foi ordenado. Agora, apenas quatro anos depois, o Sr. Erwin está prestes a se tornar o primeiro bispo luterano gay.

Por padre Dwight Longenecker, em http://www.aleteia.org/pt/religiao/documentos/bispos-gays-quando-a-cultura-e-mais-importante-que-a-religiao-1875001


Com mais de quatro milhões de membros em 10.000 congregações, a ELCA é a sétima maior igreja protestante do país, e a segunda depois da Igreja Episcopal a ordenar e promover "parcerias homossexuais". O fato de que as igrejas episcopais e luteranas tenham reconhecido os ministérios umas das outras, e que os ministros luteranos trabalhem regularmente em igrejas episcopais e vice-versa, significa que, em muitos aspectos, existe agora uma denominação protestante liberal que poderia ser chamada de a Igreja Luterana Episcopal dos EUA.

Não é minha intenção brigar com os luteranos episcopais sobre a sua decisão. Também não pretendo argumentar sobre a moralidade do ato de sodomia. Qualquer ser humano com bom senso conhece os fatos sobre a sexualidade humana e entende que a relação sexual entre dois homens não é o que Deus planejou.

Deixando de lado tais debates, existe uma dificuldade mais profunda e preocupante na decisão de tolerar a homossexualidade. Isso não tem nada a ver com a sexualidade humana, mas com os próprios princípios fundamentais da fé cristã e, de fato, da própria religião.

O luteranos episcopais não votaram simplesmente para "ser legais com as pessoas homossexuais". A razão pela qual os luteranos episcopais votaram a favor da homossexualidade é porque eles acreditam que a sua compreensão e seu ambiente cultural são mais importantes do que a revelação divina.

Eles não são ignorantes, pois sabem que a Bíblia condena o comportamento homossexual. Eles entendem que praticamente todas as religiões, em todos os momentos e em todos os lugares, condenaram a prática da homossexualidade. E, no entanto, nada disso importou; em vez disso, eles demonstraram acreditar que o cristianismo pode e deve ser adaptado ao contexto cultural às necessidades pastorais do momento. Eles realmente acreditam que a sua cultura e sua compreensão são superiores a tudo o que já aconteceu antes.

Existem duas categorias básicas na igreja cristã hoje: aqueles que acreditam que a fé cristã é uma construção cultural que deve se adaptar e se transformar de acordo com as necessidades culturais e pastorais de cada sociedade, e aqueles que acreditam que a fé cristã é revelada por Deus e que, em vez do cristianismo se conformar com o mundo, o mundo deve estar de acordo com o cristianismo. O luteranos episcopais seguem a primeira concepção.

Portanto, o que estamos testemunhando na decisão luterana episcopal não é simplesmente uma apologia da homossexualidade. Isto é apenas um sintoma da doença. A decisão de ordenar o Sr. Erwin como um bispo luterano é simplesmente a consequência de uma posição filosófica mais fundamental – de que a religião deve estar em conformidade com o mundo.

Por que isso é importante? Porque uma escolha muito fundamental tem de ser feita. Alguém acredita que a fé cristã é uma construção humana, que pode ser adaptada de acordo com qualquer vento de mudança na sociedade? Alguém acredita que a religião é um acidente histórico – uma instituição feita pelo homem, que simplesmente tem uma função prática necessária no mundo? Se for sim, então acredita-se que toda a religião cristã foi criada apenas por pessoas. Se ela foi feita por pessoas, para começar, então ela pode ser alterada pelas pessoas sempre que tais pessoas desejarem.

Será que ninguém vê que isso significa a morte da própria religião? Porque, se a religião não é mais do que uma construção humana, então a religião realmente não é mais que uma ilusão humana. Se a religião é uma construção humana, então ela não é mais importante do que qualquer outra instituição nobre. Se a religião não é mais do que uma construção humana, ela não é mais importante do que os escoteiros, o Rotary Club ou a Cruz Vermelha.

A alternativa é acreditar que a fé cristã é revelada pelo próprio Deus, através de seu filho Jesus Cristo encarnado, e que Jesus Cristo, o Filho de Deus, fundou a sua Igreja sobre o apóstolo Pedro e seus sucessores; e que, até hoje, a Igreja, através o poder do Espírito Santo, fala a verdade ao mundo e administra os sacramentos da salvação para alcançar e redimir toda a raça humana.

A primeira opção não pode realmente ser chamada de religião. É um artifício humano. É uma máscara religiosa que os seres humanos usam.

A segunda opção continuará sendo a igreja de Jesus Cristo. Como tal, continuará sendo sacramento de salvação – ou pedra de tropeço, para aqueles que simplesmente desejam se conformar com o mundo.

Meu comentário: considerei bem interessante esse artigo do referido padre por se tratar de uma análise mais profunda da questão das religiões e das questões culturais. 
Deixo claro, no entanto, que discordo dele quanto à parte que fala da fundação da Igreja Católica. Não tenho esse ponto de vista.
Voltando ao assunto principal, talvez esse seja um dilema pela qual passe o cristianismo de maneira geral no mundo. O aspecto da aceitação de bispos homossexuais é apenas um dos fatores em jogo nesse duelo entre cristianismo bíblico e cultura predominante. E os dois lados se tornam cada vez mais excludentes. O caminho natural de muitas denominações religiosas cristãs é simplesmente aceitar que não conseguem lutar contra aspectos culturais que sempre se chocaram com suas crenças e incorporá-los. Algumas poucas representações religiosas cristãs insistem em se manter fiéis ao que efetivamente foi revelado na Bíblia Sagrada (máxima referência do cristianismo) e evitam o que alguns chamam de contextualização cultural dos princípios. Se os princípios bíblicos fundamentam justamente o cristianismo, qual a vantagem de abrir mão deles? Não seria um golpe contra as próprias denominações a longo prazo, tornando-as completamente inócuas e irrelevantes?
Não me atrevo aqui a discutir esse dilema entre cultura e religião, pois existem sérias pesquisas e pesquisadores que debruçaram tempo para analisar isso e possuem propriedade para falar a respeito. Uma coisa, no entanto, é praticamente inegável. O cristianismo parece perder muito mais a relevância para a sociedade onde as doutrinas bíblicas que sempre foram sua base também deixaram de ser pregadas e ensinadas. A conformidade com o mundo não tem feito o cristianismo crescer onde isso ocorre. Pelo contrário. É algo a ser pensado com verdadeira seriedade.

Empresas aceitam vigilância dos EUA: o que pode estar por trás?

09/06/2013 0 comentários

Da Folha de São Paulo, 09.06.2013.

As maiores companhias de internet reagiram mal quando autoridades do governo dos Estados Unidos foram ao Vale do Silício, na Califórnia, lhes cobrar meios facilitados para acessar dados de usuários, como parte de um programa de monitoramento. No fim, porém, a maioria cooperou ao menos um pouco com a Casa Branca.
Dentre as grandes empresas, o Twitter se recusou a colaborar, mas outras foram mais receptivas. De acordo com participantes dessas negociações, a lista das que aceitaram conversar inclui Google, Microsoft, Yahoo, Facebook, AOL, Apple e Paltalk. Elas foram legalmente requisitadas a compartilhar seus dados com base na Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa, em inglês).
Repassar informações em cumprimento à Fisa é uma obrigação legal, mas facilitar o trabalho do governo em obter dados não o é. Por isso, o Twitter pôde se recusar a cooperar de forma mais ampla.
Em pelo menos dois casos, no Google e Facebook, uma das propostas discutidas era criar uma versão digital dos escritórios onde as empresas guardam suas informações sigilosas, geralmente em grandes servidores. Por meio desses portais, o governo pediria os dados e as companhias os forneceriam.
Esses episódios se chocam com a posição oficial das empresas. "O governo americano não tem acesso direto ou uma porta dos fundos' para obter informação armazenada em nossos servidores", disse o executivo-chefe do Google, Larry Page, em uma nota divulgada anteontem. "Nós fornecemos dados de usuários ao governo apenas em cumprimento à lei".
Comunicados de Facebook, Microsoft, Yahoo, Apple, AOL e Paltalk seguiam o mesmo argumento. Mas, em vez de uma "porta dos fundos" para acessar os servidores, as companhias foram essencialmente requisitadas a fazer uma caixa postal fechada e dar a chave ao governo, segundo os envolvidos nas negociações. O Facebook, por exemplo, elaborou um sistema nesse formato para o pedido e a coleta de dados por parte das autoridades.
A existência dessas negociações revela como as companhias de internet, cada vez mais no centro da vida privada dos cidadãos, se relacionam com agências de espionagem, interessadas em seu vasto acervo de e-mails, vídeos, conversas on-line, fotos e conteúdos de pesquisa. O diálogo ilustra a forma intrínseca como governo e empresas de tecnologia trabalham juntos.
As negociações se estenderam nos últimos meses. O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, foi ao Vale do Silício para se reunir com executivos do Facebook, do Google, da Microsoft e da Intel.
Apesar de que o propósito oficial fosse discutir o futuro da internet, as conversas também abordaram como as companhias poderiam colaborar com o governo em seu esforço de coletar dados para operações de inteligência.
Cada uma das nove companhias que tiveram suas bases de dados interceptadas pelo governo afirmou que não tinha conhecimento de um programa da Casa Branca destinado a tal tarefa.
VIGILÂNCIA EM ALTA
Os pedidos com base na Fisa podem variar de solicitações sobre um usuário específico a uma vasta gama de dados, como um acervo de pesquisas sobre um determinado termo em mecanismos de busca. No ano passado, o governo fez 1.856 requerimentos amparados nessa lei, um aumento de 6% em relação a 2011.
Num caso recente, a Agência Nacional de Segurança (NSA) se valeu da Fisa para enviar um agente à sede de uma empresa de tecnologia para monitorar um suspeito de um ciberataque, de acordo com um advogado da companhia. O oficial instalou um programa do governo nos servidores e trabalhou no escritório por várias semanas, transferindo informações para um laptop da NSA.


Meu Comentário - Esse precedente aberto nos EUA é sintomático. No momento em que oficialmente se noticia que um governo consegue acesso a dados dos cidadãos, acende um alerta para o controle sobre a vida e o próprio direito à individualidade. Não se trata apenas de se falar sobre questões relacionadas à segurança nacional, mas do uso político dessas informações. Quem pode garantir que o governo norte-americano e outros - que depois podem aproveitar esse exemplo e também solicitar o mesmo- utilizarão os dados exclusivamente para finalidades de identificar criminosos?
O risco de se dar acesso irrestrito aos governos de dados de pessoas físicas é a intenção que pode nortear essa vigilância. Ninguém estará a salvo de interesses comerciais, ideológicos e até religiosos para se fazer uma devassa nos dados online que, em primeira instância, deveriam pertencer apenas a quem é dono dos perfis e contas de e-mails e redes sociais. Evidentemente que, na hipótese de suspeitas fundamentadas de crimes, não deve haver impedimentos legais para se buscar essas informações. 
Mas será que o bom senso vai prevalecer? Quem vai controlar isso?
Hoje há perseguições realizadas por motivos comerciais, ideológicos e religiosos em todo o mundo. Quem tem acesso a dados estratégicos pode, com muita facilidade, impedir que um determinado grupo de pessoas, por exemplo, continue a se reunir em liberdade por não ter necessariamente o mesmo pensamento do governo vigente. E o pior: isso poderá ser feito em nome do combate ao terrorismo e em favor da segurança nacional.
Uma das premissas do ser humano, inclusive, amparada biblicamente, é a liberdade de crer ou não crer e do livre pensamento. Esse passo dado nos EUA é um risco indireto para essa liberdade. 

Idoso vive mais em SP, mas com menos saúde

02/06/2013 0 comentários

Folha de São Paulo, 02.06.2013.

Os idosos de São Paulo estão vivendo mais, mas em piores condições de saúde. Na última década, a taxa de de incapacidade por doenças cresceu 78,5% entre os homens e 39,2% entre as mulheres acima de 60 anos.
Entre 2000 e 2010, essa população ganhou, em média, dois anos a mais de expectativa de vida, mas perdeu até três de vida saudável.


Ameaça na midiatização dos evangélicos

12/05/2013 1 comentários

Há quem sabe 30 anos a realidade é que o grupo religioso conhecido de maneira geral como evangélicos não tinha espaço significativo nas mídias de massa em geral no Brasil. Salvo algum escândalo ou uma reportagem pautada principalmente na suposta ameaça que essa fatia de crentes poderia representar ao universo católico.

Mas o tempo mudou e os números mostraram um vertiginoso crescimento desse contingente entre a população brasileira. O IBGE
revelou em 2012, por meio do Censo Demográfico, que o número de evangélicos no País aumentou 61,45% em dez anos. Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros.
Os evangélicos cresceram, também, em sua influência política, social, educacional e midiática. É um processo absolutamente natural que um determinado grupo, ao ser mais expressivo numericamente, amplie sua capacidade de se fazer ouvir em diferentes campos do conhecimento humano. A própria economia brasileira sentiu a reação disso. Segundo reportagem publicada pela Folha de São Paulo em outubro de 2012, “o mercado imobiliário é outro que segue o galope demográfico dos evangélicos. Segundo dados do IBGE liberados em junho, eles saltaram de 15,4% da população em 2000 para 22,2% dez anos depois. Até 2020, prevê-se que serão 57 milhões. A entidade Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes) estima que, a cada ano, surjam 10 mil novos templos. Hoje há cerca de 300 mil pelo país. Só a construção de dois megatemplos no Brás (zona leste de São Paulo), encomendados por igrejas rivais e previstos para 2013, deve absorver quase R$ 400 milhões”.
Mas e qual o impacto disso tudo na mídia brasileira? É enorme o impacto da pauta evangélica nas mídias convencionais como TV, rádio, jornais e revistas, além das redes sociais, blogs e sites. E não estou falando apenas do surgimento de novos canais de propriedade de igrejas ou do aparecimento de dezenas de portais e sites com viés evangélico. Nessa área também houve crescimento. Sim, há muito mais programas nas TVs abertas, fechadas, nos sites, nas redes sociais, enfim, os evangélicos definitivamente saíram do
ostracismo e estão em vários lugares e, de preferência, onde há mais visibilidade.
Na boca das mídias – Mas os evangélicos estão, sobretudo, na boca das mídias. O que fazem, o que deixam de fazer, suas opiniões polêmicas ou não se tornaram assunto diário de colunistas, especialistas, repórteres, pauteiros, sites conceituados. Há poucos dias li sobre dois líderes evangélicos que trocaram farpas por meio de uma rede social (Twitter) a respeito de um determinado tema. A discussão foi acalorada e, entre um tweet e outro, um pastor acusava, o outro revidava, depois vinha a réplica, enfim, parece que o bate-boca durou alguns dias. E teve repercussão entre milhares de pessoas. Sem falar na cobertura regular das declarações dos pastores-estrela, dos grandes eventos que reúnem milhares que professam alguma crença denominada evangélica, etc.
E com os evangélicos acontece o mesmo fenômeno que ocorre com outras temáticas abordadas pela mídia em geral. Quando algum veículo se propõe a falar sobre o assunto, os outros inevitavelmente despertam para a necessidade de também abordar ainda que seja sob outros prismas. E isso se fortalece com as redes sociais. O que diz respeito aos evangélicos vira tendência em Twitter, Facebook e outros lugares e vai parar na TV, no rádio, nos impressos. É o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu já dizia, no livro Sobre a Televisão,quando falava do conceito de circulação circular da informação. Ou seja, a informação circula entre os veículos sempre em uma espécie de ciclo.
Ameaça conceitual – Essa midiatização dos evangélicos tem um aspecto positivo que é mostrar à sociedade de uma maneira mais
ampla e sem tanto estigma que esse grupo pensante e atuante existe e se constitui em uma força a ser considerada. Há ameaças, no entanto, que muitas vezes não são percebidas nem pelos evangélicos.
A primeira delas é para a própria opinião pública que é bombardeada com o conceito de que os evangélicos são apenas um grupo politicamente importante e que, portanto, uma de suas principais características é a de se firmar como ator importante no cenário. Mas isso tem a ver com a essência do próprio cristianismo no que diz respeito as suas origens?
Se você tomar os escritos dos quatro principais evangelistas bíblicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e mesmo o relatório minucioso no livro de Atos (atribuído também a Lucas) a respeito da rotina da que alguns estudiosos de teologia chamam de igreja cristã primitiva perceberá algo interessante. Verá que o cristianismo, tal qual em seu início, tinha princípios bem claros de uma comunidade composta em sua maioria por crentes envolvidos profundamente com a missão eminentemente espiritual, solidariedade e despreocupados com pompa e visibilidade. Pelo contrário, o cristianismo primitivo foi objeto de intensa perseguição por parte dos antigos líderes hebreus e por parte do Império Romano antigo. Claro que os cristãos, à época, que não eram nem divididos entre católicos, evangélicos e qualquer outro grupo, somavam apenas milhares e não milhões como hoje.
Essa imagem do cristianismo foi drasticamente alterada ao longo dos séculos. E os evangélicos brasileiros, perante a mídia, são retratados majoritariamente como mais um grupo de poder no País. Diga-se de passagem que o mesmo ocorre com o catolicismo romano de uma maneira geral há muitos anos. Os evangélicos se tornaram interessantes e atraentes para quem produz a notícia, para quem vive da publicidade paga e para quem sobrevive com a difusão da polêmica alheia. Mas a essência do cristianismo, principalmente se a referência for o próprio livro sagrado da religião (a Bíblia), pouco dá as caras na mídia. Pouco se fala sobre o que creem os evangélicos e de que princípios norteiam suas vidas e muito pouco a respeito de algum aspecto missionário. A não ser que a crença seja digna de causar divergência e, por conseguinte, criar a espetacularização da informação.
E essa responsabilidade obviamente não é apenas das mídias ou do quem detém controle sobre a veiculação nos meios que mais ditam o direcionamento da opinião da maioria. É dos próprios evangélicos. Que tipos de pautas estão oferecendo consciente ou inconscientemente? Que imagem esperam transmitir às pessoas que os observam nas redes sociais ou na TV por assinatura? Será que todas as igrejas cristãs não católicas agem em bloco com esse mesmo viés?Não há nada contrário aos evangélicos estarem na mídia. Mas, por uma questão de fidelidade ao que originalmente se estabeleceu como as raízes do cristianismo (sobretudo tendo como fundamento os ensinamentos de Jesus Cristo), seria importante que o hoje denominado grupo dos evangélicos não seja visto apenas como mais um agrupamento em busca de poder a partir da midiatização.
Para mim, parece clara uma ameaça claramente decorrente da enorme exposição pública a que se submetem os líderes e os membros evangélicos nos últimos 4 ou 5 anos. Talvez não vivam mais apenas de escândalos na mídia, mas tampouco parecem deixar tão claro quem são em essência e qual a justificativa espiritual de sua existência. 

Padre mexicano diz não acreditar nem em Deus, nem no diabo

21/04/2013 0 comentários

Gospel Prime.


Adolfo Huerta Alemán, da diocese de Saltillo, no México, é um fenômeno de popularidade em seu país. Ele é mais conhecido pelo apelido de “El Gofo” e seu visual pode fazê-lo ser confundido com um músico de uma banda de heavy metal.  O sacerdote disse recentemente que faz sexo com frequência e que a existência de Deus para ele não importa.
Por causa de suas declarações e do sucesso que faz especialmente entre os jovens mexicanos, o bispo local decidiu que Gofo deverá responder diante do tribunal eclesiástico diocesano.
Tudo começou com uma entrevista publicada em 22 de março pela revista mexicana Proceso, onde Adolfo, vigário recentemente nomeado da Paróquia Senhor da Misericórdia, disse “se Deus não existe, pouco me importa”. Para ele, disse, a fé é simplesmente “uma motivação para dar sentido à vida”, que o motiva “a encontrar um significado e conseguir melhorar nossos relacionamentos, algo que vai ajudar a me tornar um ser humano melhor.”
Quando perguntado pelo repórter se faz sexo, Gofo admitiu que “frequentemente”, mas observou que não tem compromisso com ninguém porque seu rebanho exige muito de seu tempo.
De acordo com a mesma publicação, o padre usa bótons com as imagens de Che Guevara e personagens da série South Park, desenho animado que constantemente ofende a Cristo, a Igreja e o Papa. Gofo pinta seu longo cabelo de azul e vermelho e comumente pinta o rosto com tinta branca para enviar alguma mensagem.
Alemán também expressou repetidas vezes seu apoio a ideologia dos  ”transgênero” e republicou mensagens na rede social Twitter da organização católica Free Choice, que nos últimos 10 anos tem gastou mais de US $ 13 milhões para promover o aborto na América Latina, especialmente no México.
Em 18 de Fevereiro, publicou na internet uma “carta aberta ao novo Papa” onde pedia que Francisco aceitasse “padres casados”, “sacerdotisas” e “abortistas incompreendidas”. Ordenado há seis anos, padre Gofo tem um forte trabalho social na área de El Toreo, onde predomina a população pobre e é forte a presença do crime organizado.
Embora já que tenha dito não crer que a Bíblia é a palavra de Deus, usa trechos dela nas missas, juntamente com citação de filmes de Hollywood ou canções de rock. Muitas vezes usa seu senso de humor ácido e se defende: “Temos de atualizar o Evangelho à cultura contemporânea.”
Para ele, “A renúncia de Bento reflete o cansaço de uma igreja que está se enfraquecendo. Não irá acabar, mas não causa nenhum impacto nem mudança de mentalidade. Você precisa entender que a fé nada mais é que um compromisso com a minha realidade histórica, de mudar as circunstâncias da Igreja, ter compromisso com as vítimas de tráfico, com os familiares dos desaparecidos, com os transexuais. A Igreja Católica não deveria ser um fardo para a sociedade, mas um alívio”.
Andando pelas ruas, pergunta às pessoas se querem que ele celebre uma missa em suas casas. A resposta geralmente é sim. Centenas de pessoas, sobretudo jovens, vão ouvi-lo falar nessas cerimonias a céu aberto. Aos 35 anos de idade, ele anda em uma moto de 125 cilindradas, bebe cerveja e ouve a banda de heavy metal Iron Maiden em seu celular.
Publicou um texto que lhe rendeu a acusação de ser pornográfico. Recebeu como punição três meses em um retiro com outros padres.
Gofo se sente discriminado por ser diferente. Por sua aparência, já foi acusado de ser satânico. Mas ele não se importa, afinal não acredita no diabo. “Eu acho que o diabo é um personagem, um conceito não me ajuda a crescer como pessoa nem fazer meu trabalho corretamente… Eu acredito que a linguagem da Igreja tem de ser atualizada, precisa evoluir, (…) esse tipo de linguagem não é mais útil, não atende mais às necessidades do nosso povo”, finaliza.

Entrevista originalmente publicada em http://www.proceso.com.mx/?p=336919

Meu comentário - A entrevista com o polêmico e extravagante líder religioso chama a atenção por suas afirmações notoriamente destinadas a causar espanto e, consequentemente, atrair os holofotes para si mesmo e seus conceitos bem próprios de liderança. Independente disso, há uma afirmação que é mais significativa, na minha avaliação, e que tem a ver com outras entrevistas que já li de outros líderes religiosos.
O padre Adolfo Alemán diz, em determinado momento, que "temos de atualizar o Evangelho à cultura contemporânea". Essa, para mim, é uma das maiores ameaças hoje à literalidade da Bíblia Sagrada, pois implica relativizar o que contém a Palavra de Deus e, em última instância, relativiza o próprio conceito sobre Deus. Essa contextualização é perigosa, pois fica a cargo da livre vontade e interesse pessoal de cada liderança ou segmento religioso. No meio cristão, isso já ocorre há alguns anos, mas a impressão é que vai se aprofundar e que religiosos com o mesmo pensamento de Adolfo serão cada vez mais comuns e populares, principalmente entre o grupo de pessoas que já não se identifica com igrejas ou denominações, mas prefere se autodenominar apenas adepto de algo mais sobrenatural ou místico. 
Caminhamos para um gradual fim do pensamento voltado para a religião tal como descrita na Bíblia e início de uma identificação com manifestações aqui e acolá sobrenaturais sem que necessariamente haja um comprometimento do adorador com o Criador. Ou seja, as pessoas estão deixando as religiões tradicionais e também abandonando os ensinamentos originais da Bíblia e se entusiasmando muito mais com "sinais e maravilhas" a exemplo do que previa Cristo nos evangelhos. 
Essa realidade é muito mais ameaçadora, para mim, do que as declarações aparentemente contraditórias do padre mexicano. Ele é muito mais um símbolo de um modo de pensar típico de alguns líderes evangélicos ou mesmo religiosos que desejam questionar o papel essencial da Bíblia Sagrada e de um Deus pessoal na vida humana. 

Abuso de álcool ocorre mais entre pobres, diz pesquisa

14/04/2013 1 comentários

Estadão online, 13.04.2013.


Sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por mês bebem de forma abusiva. O consumo, que já era bastante expressivo, aumentou muito nessa parcela da população nos últimos seis anos, segundo o Levantamento Nacional de Álcool, feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“O fenômeno neutraliza benefícios da melhoria de renda e ajuda a perpetuar o ciclo de baixa qualidade de vida”, avalia o coordenador do trabalho, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.
O levantamento mostra que, quanto menor a renda, maior o consumo excessivo de álcool. Na classe E, 71% bebem de forma exagerada; na C o índice é de 60%, na B de 56% e na A de 45%. A lógica se repete quando se analisa o crescimento do consumo excessivo entre os diferentes grupos sociais. Quanto menor a renda, maior o aumento no período avaliado, de 20006 a 2012.
O estudo foi feito com base em dados de 4.607 pessoas com mais de 14 anos, coletados em 149 municípios.
Para homens, é considerado beber de forma abusiva o consumo de ao menos cinco doses de bebida em um período de duas horas. Entre mulheres, a relação é de quatro doses em duas horas. Uma dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de pinga.
Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, especializado em pesquisas de consumo nas classes C e D, a melhora do padrão de vida promove a diversificação de compras de produtos industrializados. E, assim, o álcool vem ganhando espaço. O Data Popular observou dois movimentos que evidenciam a melhoria da renda, que se destacam no Nordeste: “Quem começa a ganhar mais dinheiro na classe C passa a comprar destilados como uísque e vodka, enquanto as classes D e E mudam da pinga para a cerveja”.
Meu comentário: Embora o estudo mostre que o consumo abusivo de álcool seja mais prevalente entre as pessoas de renda menor, o problema das bebidas alcoólicas é uma realidade muito mais ampla que países como o Brasil ainda insistem em não enfrentar.
Concordo que devam haver campanhas de conscientização quanto aos malefícios de drogas como crack (com alto poder de destruição ou destruição mais rápida do ser humano), mas o álcool não é combatido com veemência, o que é um erro estratégico. O álcool é usado habitualmente por adolescentes e jovens brasileiros com efeitos a médio e longo prazo extremamente ruins.
As únicas campanhas estão restritas ao uso do álcool vinculado à prática de dirigir, ou seja, a preocupação maior governamental parece ser a de que as pessoas apenas não dirijam sob efeito de álcool.
Quando leio pesquisas como essas, vejo que a preocupação oficial é muito pequena perto do contexto maior de danos comprovados pelo uso do álcool em maior ou menor quantidade. 
Na própria Bíblia, grande parte dos personagens bíblicos envolvidos com ingestão de álcool são mencionados em circunstâncias desfavoráveis. Foi o caso de Noé, cuja embriaguez desencadeou a maldição de um dos filhos, Ló e sua relação promíscua com as filhas após ficar bêbado, além de um rei de Israel antigo chamado Elá (que bebeu e foi assassinado por um de seus oficiais que tomou seu lugar) e mesmo o déspota babilônico Belsazar que, em meio a uma orgia com embriaguez com milhares, viu o aviso divino de que seu reino seria destruído por outros impérios.
É por essa e outras razões que cristãos fundamentados na Bíblia Sagrada não apoiam o uso de qualquer quantidade de álcool, muito menos por pobres ou jovens e crianças. 
Falta, sim, uma campanha corajosa e contundente que tire as bebidas alcoólicas dos supermercados e das lojas frequentadas por grande parte dos consumidores especialmente os mais novos e que conscientize a população de que há muito mais malefícios do que benefícios em se ingerir álcool. 
Mas a luta é contra grandes corporações que investem milhões de dólares nas próprias ações dos governos e que não têm qualquer receio de que grande parte da população seja consumidora de bebidas alcoólicas. Ganham dinheiro fácil, colocam uma parte em mídia, em eventos sociais e isso lhes garante mais consumidores e o ciclo não acaba.
Enquanto uma conscientização governamental não surgir, cada pessoa precisa ter consciência de que sua família não necessita desse vilão aceito pela sociedade, mas que só prejudica.

 
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