Jornalista Fabiana Bertotti, que recentemente produziu vídeos no continente africano para o Serviço Voluntário Adventista - Conheça mais sobre este projeto em http://blog.portaladventista.org/missionariosvoluntarios/
Não consigo entender algumas coisas aqui, por mais que me expliquem. As pessoas aceitam ser servas das outras que consideram superiores e simplesmente não lutam por algo mais. É incrível. A cabeça é diferente, é mais que cultura. Existem enormes campos verdes, terras férteis e não se vê plantações de comida. Somente o chá dos estrangeiros. É possível plantar soja, feijão e o que mais precisarem, mas não o fazem.
O Malawi é lindo, gente, lindo mesmo! E as pessoas são miseráveis, sem precisar ser. Uma coisa me chamou a atenção num vilarejo: uma casa com a placa para recarregar celular. Não existe energia elétrica fácil por ali, mas uma galera tem celular. Eita globalização. Só que não têm onde carregar e pagam um local onde podem obter energia. No mercado, bem bonito por sinal, quase tudo vem da África do Sul, país vizinho, pois não há indústrias significativas no Malawi e de alimentos então, no way! A educação é precária, mas algumas pessoas fazem uma diferença aterradora.
Conheci um paciente do hospital, senhor Gerald Campbell que me deixou fascinada. Há 13 anos ele vive no país e há 12 montou um grande orfanato, usando uma base militar abandonada. Conseguiu algum apoio do governo, pediu doações e prosseguiu. Lá ele cuida atualmente de 115 jovens de 4 a 20 anos que recebem comida, educação técnica, ensino de inglês e muito carinho. Cada criança, com educação e tudo, custa cerca de 70 dólares por mês e ele vai atrás do dinheiro. Era um executivo de marketing do All Mart e largou tudo nos EUA para fazer isto aqui. Hoje seus "filhos" são técnicos, professores, conheci um mestre em educação e outras tantas profissões. O lugar é feio e pobre, mas é o oásis para quem perdeu a família para a Aids. A bondade do senhor Campbell torna aquela pobreza linda. Quando perguntei por que ele tinha largado tudo no seu país para viver ali, daquela forma, por gente que nem conhecida era ele calmamente e com um largo sorriso respondeu: primeiro, porque sou cristão e Cristo me pediu para amar e ajudar ao meu semelhante, está na Bíblia, pode olhar. Depois porque eu posso ajudar de alguma forma então deque valerá minha vida aqui se não tiver feito o bem para alguém e tiver vivido só pra mim? Minha dor pelo soco no estômago que ele acabara de me dar não permitiu outra pergunta sequer.
Sobrevivência na África
Felipe Lemos
13/01/2010
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Adorei o post;
nós deveríamos seguir o exemplo do Sr. Campbell.Não precisaria nem nos mudarmos para a África,um simples gesto de doação ou até mesmo um "bom dia", pode mudar a vida de uma pessoa.