Revista Istoé, Semana de 28.03.2010.
A posição retrógrada das igrejas em relação ao sexo, cada vez mais distante da realidade dos jovens, é um dos fatores que afastam a juventude da religião. Uma pesquisa inédita com universitários entre 17 e 25 anos que investigou, entre outros assuntos, o que eles pensam sobre a orientação de suas igrejas no campo sexual mostrou quanto esta tese é verdadeira. Das 374 pessoas que responderam a essa questão, 65% discordaram das determinações religiosas. A enquete torna clara uma impressão que estava no ar: se tiver de escolher entre a religião e o livre exercício de sua sexualidade, o jovem abre mão da primeira. “Ele acredita em Deus como um ser superior que não deve se meter em sua vida”, diz o teólogo Jorge Claudio Ribeiro, professor do departamento de ciência da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Os dados serão compilados em um livro a ser lançado em breve. A publicação faz parte da série “Religiosidade Jovem” (Ed. Olho D’Água). A equipe do teólogo já havia estudado o tema em 2000 e 2004, aplicando questionários para 1.825 estudantes. Como nas três etapas a frase “concordo com as orientações de minha igreja em questões sexuais” sempre esteve entre as mais rejeitadas, Ribeiro resolveu, dessa vez, quantificar o tamanho do embate entre sexo e religião. A pedido de ISTOÉ, as respostas foram organizadas considerando os quatro maiores grupos religiosos dos jovens pesquisados (leia quadro). “Para o jovem, ter fé é mais importante do que ter religião”, explica Ribeiro. Ao não aceitar o livre arbítrio da juventude, a igreja deixa de evangelizar muitos fiéis.
Pesquisa mostra que jovens discordam de determinações religiosas
Felipe Lemos
28/03/2010
Essa é a opinião da aeroviária paulista Fernanda Correa do Prado, 25 anos, criada em berço católico. “É um absurdo condenar o uso da camisinha. O sexo não é praticado apenas como forma de reprodução. E vivemos em um mundo cheio de doenças”, protesta. Fernanda recorda um episódio que a fez repensar a sua devoção ao catolicismo. “Uma colega do grupo de jovens foi repreendida pelo padre por estar grávida. Ele disse que ela não deveria ser representante da comunidade porque iria ser mãe solteira.” A aeroviária estranhou o fato. Não abandou o catolicismo, mas passou a ir menos à igreja. O psicólogo e sociólogo Antonio Carlos Egypto acha saudável essa grita da garotada. Para ele, os religiosos deveriam ser menos normativos em questões comportamentais. “O correto seria discutir mais os temas, para dar espaço à reflexão e à escolha e não apresentá-los como diretrizes fechadas”, diz Egypto, que presta assessoria a colégios na área de orientação sexual. Ateu, o músico Danilo Espada Barba, 23 anos, não enxerga o sexo como um entrave na relação entre a juventude e a religião. Para ele, o jovem não deixa de ir à igreja, mas também não fica sem transar. “Ele mantém a religião que escolheu apenas para cultivar as aparências”, explica. Barba é contra a proibição de quaisquer necessidades inerentes ao ser humano, especialmente as que se referem à sua sexualidade. “A negação do sexo compromete não só um grupo que segue uma doutrina, mas a perpetuação da espécie.” Para o padre e doutor em teologia Márcio Fabri dos Anjos, professor de bioética do Centro Universitário São Camilo, um sem-número de jovens se sente mais seguro sob uma moral rígida imposta por católicos e evangélicos.
O webdesigner Leandro Carreira e sua esposa, a jornalista Luciana Carniti, iniciaram um relacionamento amoroso em 2002. Dois anos mais tarde, depois de passarem a estudar a “Bíblia” com um grupo de pentecostais, decidiram abdicar do sexo e iniciar um namoro conforme os preceitos da igreja. Nessa nova fase, deixaram também de viajar e dormir juntos e procuravam evitar intimidades como abraços calorosos, para não caírem em tentação. “É pecado provocar em alguém o desejo que você não pode cumprir”, explica Luciana. “Nosso corpo é um templo de Deus.” O sexo só retornou à rotina do casal após a troca de alianças, em 2006. Hoje, aos 27 anos e pais de Ana Carolina, de 1, eles dedicam boa parte do tempo à Comunhão Cristã em Adoração, igreja que fundaram há três anos. Protestantes, como o casal Luciana e Leandro, são os que mais concordam com a oratória da sua igreja sobre temas sexuais, de acordo com “Religiosidade Jovem”. No geral, porém, a obediência é uma exceção. Entre os pesquisados, religião ficou em último lugar entre as questões mais importantes para a vida deles, atrás de família, amigos, universidade, trabalho e política. Não é de estranhar, portanto, que seja rejeitada como conselheira sexual. Mas, então, quem tem autoridade para falar sobre sexo com os jovens? “Hoje, mídia e ciência são mais respeitadas”, afirma o sociólogo Egypto. “À escola cabe produzir capacidade de reflexão para que se faça uma boa escolha.” Para ele, os pais deixam de fazer uma avaliação objetiva em uma discussão sobre sexualidade com os filhos por causa do envolvimento afetivo. “Mas eles têm de estar por perto, principalmente para vigiar a informação fragmentada que chega”, pondera.
Espíritas, os pais do estudante mineiro Felipe Torres de Oliveira, 21 anos, discutem sobre sexo com ele e os irmãos. Há nove meses namorando a estudante Fernanda Pena de Sousa, 18, que conheceu durante reuniões de estudos espíritas para jovens, Oliveira afirma que “o sexo está a serviço da humanidade, é uma possibilidade divina”. E aponta o divórcio entre a religião e a razão como o responsável pela distância entre os jovens e os templos. “Como teólogo, é bem mais fácil desejar que as comunidades religiosas evitem os caminhos da moralidade repressiva, para contribuir positivamente com os jovens no encontro de razões e espiritualidade em favor de uma vida sexual construtiva e digna”, afirma o padre dos Anjos, da São Camilo. Do papa ao pároco, passando pelo médium e o pastor, a evangelização da juventude interessa a qualquer doutrina. Para tanto, conhecê- la é condição fundamental. “Esse tipo de fiel quer ver o mundo pelos próprios olhos. E, em relação ao sexo, não admite intromissão”, afirma Ribeiro, da PUC. “Deus nos fala pelo jovem. É uma realidade teológica, que precisamos aprender a ler e a desvelar.”
Nota: Realmente parece ser verdadeira a "evasão jovem" das religiões. A reportagem dá a entender que o motivo são as "determinações religiosas" das igrejas. É importante frisar, no entanto, que, no caso dos protestantes, há uma grande aceitação por parte dos jovens em relação ao que suas denominações religiosas ensinam. Há, aí, uma exceção a esta mesma regra evidenciada pela pesquisa. Curioso é notar que a reportagem, ao apresentar visões de igrejas cristãs, não mencionou preceitos bíblicos defendidos por algumas destas religiões e que são transmitidos e aceitos, inclusive, por muitos jovens.
O que eu concluo quando leio a Bíblia é que, se não houvesse limites fundamentados na responsabilidade para as pessoas, teríamos todo o tipo de ações que tornariam o mundo um completo caos moral ou social. Os mandamentos, por exemplo, presentes no livro de Êxodo 20, e que representam nada mais do que o caráter divino, não são prisões ou mesmo motivos para os jovens deixarem de amar a Deus. Pelo contrário, funcionam até mesmo como uma proteção para jovens, adultos e todo o tipo de pessoas. É uma questão de entender mais profundamente o significado.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Popular Posts
-
Do Diário da Região, de São José do Rio Preto, 26.05.2006 Jocelito Paganelli Uma nova “lenda urbana”, que se espalha por Rio Preto e reg...
-
Revista IstoÉ, Semana de 21.07.2008. EDUCAÇÃO 37% consideram a escolaridade essencial para um bom emprego SEXO 33% dos garotos dormem ...
-
Terra, 18.06.2007. Imagens divulgadas hoje pela Biblioteca Nacional de Israel mostram três manuscritos atribuídos a Isaac Newton nos quai...
-
A fim de não transgredir o mandamento de Deus em um programa da TV Record, Wasthí Lauers de Castro pediu para sair de um reality show com...
-
Pesquisa do blog Realidade em Foco. Isaac Newton nasceu no dia do Natal de 1642 em Woolsthorpe, Inglaterra, mesmo ano da morte de Galileu...
Nuvem de Tags
Deus
religião
bíblia
estados unidos
evangélicos
liberdade
saúde
vaticano
adventista
cristãos
pesquisa
cidadania
sexo
Cristo
arqueologia
criacionismo
cristianismo
escola
igrejas
jesus
jovens
rodrigo
tv
adventistas
ateus
big brother
católica
crença
criança
crise
dilma
documento
educação
evangélica
evolucionismo
fast food
filme
globo
governo
historicidade
homossexual
igreja
lei
livro
mcdonalds
morte
novo tempo
oração
pais
reportagem
sábado
vida
violência
voluntários
álcool
11 de setembro
McDonald´s
Natal
a grande esperança
adolescente
adoração
alcoolismo
alimentação
americanos
amy winehouse
anjos
anvisa
apocalipse
argentino
assassinato
atirador
baixaria
banalização
besta
biblioteca
bissexual
bolívia
brasil
bíblica
cadáver
calebe
campanha
católicos
ceticismo
cinismo
civis
coma
comentário
companhia
comunicação
conexão
conferência
conflito
consciência
consumismo
coração
coreia do norte
corrupção
crenças
criacionista
crises
cristão
câmara
câmara federal
cérebro
davi
democracia
deusa
devoção
dieta
direitos
ditador
domingo
drogas
economia
economia. papa
econômica
econômicas
ecumenismo
ecumênico
egito
egípica
eleição
energéticos
enoque
episcopal
espiritsmo
espírita
estudantes
estudo
etiqueta
evangelho
evangelismo
evangelização
evangélico
eventos finais
exercícios
expressão
filhos
filtro
fé
fé racional
férias
game
garoto
garrafa
geologia
globo news
gravidez
holanda
homossexualidade
homossexualismo
hungria
iPad
igreja luterana
impressiona
individuais
industrializados
indústria farmacêutica
jovem
loma linda
londres
lésbicas
líder
maconha
manifesto
manjedoura
marcha
medicamentos
mente
microdestilaria
ministério da justiça
moda
monogamia
movimentos
mudança global
muçulmanos
médicos
noruega
novela
nutricionista
onu
oriente médio
pagã
papado
parlamentar
pastor
pedofilia
pensante
pet
poligamia
população
portugal
princípios
produção
profecia
protestante
protesto
públicas
reflexão
religiosidade
ressurreição
revista
rock
sacerdotisas
salomão
santa sé
satanás
sensualidade
sexualidade
sikberto
sociedade
são paulo
sódio
televisão
terror
terrorismo
tragédia
travesti
unicef
união
valor
vegetariana
Tecnologia do Blogger.
Realidade em Foco

olá, felipe..
eu tive problemas sérios na minha vida por
causa de uma questão relativa à sexo.. na
época, adolescente, eu não tive uma pessoa
adulta, madura, cristã e sábia pra me ajudar..
é certo que eu sabia que era errado o sexo
antes do casamento e sei que errei.. mas quando
a pessoa sofre por causa de um lar totalmente
desestruturado muitas vezes no clímax do
problema, só e sem quem a entenda, comete
erros gravíssimos.. eu passei cerca de 15
anos sofrendo por causa desse erro.. problemas
envolvendo delegacia e outros problemas mais
graves no casamento e na família.. em grande
parte por causa de um erro na adolescência..
a verdade, é que dentro da igreja existem
pessoas totalmente ignorantes e pudicas (não
sei se é essa a palavra) com relação ao
tema sexo.. o jovem cresce sem nenhum amparo
de psicólogo nem nada (o pastor que me
disciplinou, segundo um dos psicólogos que
me atendeu, era pra ser um engenheiro ou um
arquiteto, qualquer coisa, menos pastor.) Ou
seja.. fui vítima da ignorância, manipulação e abuso
da família e da igreja. Passei uma história
de terror na minha vida nos últimos anos.
Graças a uma psicóloga extremamente competente
e cristã, estou conseguindo dar andamento
à minha vida hoje com mais de 30 anos. A igreja
e a família, muitas vezes são os próprios
instrumentos do inimigo na vida de muitas
crianças e muitos jovens. Precisa haver mais
psicólogos, psiquiatras e profissionais
realmente competentes para que o povo não
emburreça mais ainda com a bíblia, porque
o que parece às vezes é que quanto mais as pessoas
leem a bíblia mais burras ficam. A exemplo
de uma reportagem de um país da áfrica
(exemplo extremo) que passou na record, de que
o padre dizia para os fiéis que camisinha
dava doença. Ou seja.. a vida de muitos jovens
e adolescentes e muitas mulheres, vai pro brejo
(eufemismo) por causa da ignorância, abuso e
manipulação de pais e líderes da igreja.