A Canzion Films Brasil, parte do Grupo Canzion, lançará nos cinemas brasileiros o filme “Poema de Salvação”, primeiro filme cristão a ser lançado no Cinemark. Estrelado por Gozalo Senestrari que interpretará Pablo, com elenco formado por Irina Alonso, Fernando Rosarolli e Soledad Beilis, entre outros. Inspirado na vida do cantor argentino Pablo Olivares, o filme será exibido pela rede Cinemark e narra uma trajetória de drogas, ocultismo e o poder da oração de uma mãe.
Pablo Olivares é um menino talentoso e inquieto, nascido em uma família cristã. Sua mãe, Carmem, dedica todo seu tempo a educá-lo de acordo com os princípios bíblicos, cultivando nele desde pequeno o amor pela música. Roberto, seu pai, dedica-se principalmente aos negócios, mantendo-se distante da vida de Pablo. Diante da ausência emocional de seu pai, Pablo se junta com amigos que o apresentam ao mundo do rock’n’roll e ele começa a se sentir atraído pelo ocultismo.
Sua habilidade para a música se torna evidente e embora Carmem acredite em seu talento, o rock é uma questão que ela não apoiará. Carmem tenta de tudo para restabelecer o relacionamento com seu filho e, fiel a seus princípios, ora incessantemente por ele durante quatorze anos. O constante confronto entre Pablo e sua mãe logo deixa de ser uma questão meramente familiar e se transforma em um campo de batalha pela salvação do jovem. Um drama inspirado em uma história real, filmado na Argentina, do diretor Arturo Allen (dos curta-metragens “Bandeira Branca” e “Não se Renda”).
O lançamento do filme será no dia 30 de setembro, com pré estreia anunciada para o dia 23, apenas para convidados. O filme já foi exibido em diversos países da América Latina e EUA, atingindo público superior a 500 mil pessoas. No Brasil, a Canzion Films Brasil pretende mostrar que o cinema cristão possui força e que sua exibição na rede mundial de cinemas Cinemark produzirá transformações em diversas famílias que passam, passaram ou passarão pelo mesmo problema. Pela primeira vez na história, um filme, exclusivamente cristão, com uma mensagem de adoração e louvor, será exibido nas salas da cidade de São Paulo, e em breve nas principais capitais do Brasil.
Veja trailler
Nota: Não vi esse filme (baseado em uma história real), mas a sinopse dá a entender que se trata de uma produção com abordagem cristã, especificamente de oração intercessora. Considero importante que sejam divulgados materiais que possam levar as pessoas a refletirem sobre as lutas espirituais que se travam nas famílias, especialmente quando um dos ingredientes é o rock. Já fui roqueiro e sei o grau de influência perniciosa e os péssimos conceitos que são transmitidos através de grande parte das músicas desse gênero musical, assim com em outros também. Parece, em uma primeira avaliação, que não seja apenas o rock o problema ali, mas o envolvimento do protagonista com atividades que não são compatíveis com os ensinamentos bíblicos. Respeito a crença de quem pratica ocultismo, mas é importante que haja oportunidade de se apresentar outros pontos de vista em relação a esse assunto e não apenas o tradicional enfoque do cinema norte-americano.
Um espectro assombra a literatura médica. Continuam vindo à tona episódios em
que a indústria farmacêutica patrocina artigos que promovem seus produtos,
assinados por pesquisadores aparentemente independentes. Para discutir a
questão, a revista PLoS Medicine publicou em agosto uma série de
artigos sobre o tema, incluindo um relato em primeira pessoa de uma
ghostwriter arrependida que por 11 anos trabalhou para a indústria
farmacêutica. A revista criou ainda um portal que
reúne todo o material já publicado sobre o assunto em suas páginas.
Não vem de hoje o envolvimento dessa revista com o combate à autoria
fantasma, como se convencionou chamar o fenômeno (do inglês
ghostwriting). Em 2009, a publicação ajudou a trazer à tona cerca de 1.500 documentos que
comprometiam a gigante da indústria farmacêutica Wyeth. Os documentos mostravam
que a companhia promovera a publicação de artigos que destacavam as qualidades
de seus medicamentos para a reposição hormonal para mulheres, fazendo vista
grossa para seus efeitos colaterais – que incluíam o risco de doenças
cardiovasculares e câncer de mama. Os documentos, trazidos a público em parceria com o New York Times, revelam que a
empresa pagou autores fantasmas envolvidos na publicação de 26 artigos
publicados entre 1998 e 2005.
Naquela ocasião, a PLoS Medicine qualificou num
editorial o episódio como “uma das mais convincentes exposições já vistas de
manipulação e abuso sistemáticos da publicação acadêmica pela indústria
farmacêutica e por seus parceiros comerciais”.
Dois anos depois, a revista revisitou o caso em três artigos e um editorial.
Um texto assinado por Simon Stern e Trudo Lemmens defende que os
autores que emprestam seu nome e credibilidade a artigos escritos na verdade por
representantes da indústria farmacêutica sejam legalmente punidos, com sanções
que não se restrinjam ao universo acadêmico. Um outro artigo, escrito por Alastair Matheson, destrincha as diretrizes do
Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos para a definição do que
constitui a autoria de um trabalho científico e mostra como elas legitimam a
prática da autoria fantasma em proveito dos interesses comerciais das grandes
companhias.
A peça mais interessante do pacote, no entanto, é um relato pessoal de uma bióloga que, por 11 anos, trabalhou como
ghostwriter da indústria farmacêutica. Em texto escrito na primeira
pessoa, Linda Logdberg, vinculada ao Centro de Ciências Fernbank, em Atlanta
(EUA), conta que escreveu, para uma companhia cujo nome ela mantém em sigilo,
artigos acadêmicos, mas também uma série de outros documentos – apresentações de
slides, monografias, planos de publicação etc.
No início, Logdberg não fazia questionamentos éticos sobre seu trabalho –
“por muitos anos considerei meu papel similar àquele de um técnico bem pago”,
escreveu. Ao discutir suas motivações, a bióloga contou que começou a fazer esse
trabalho por ter perdido o gosto pela carreira acadêmica. A flexibilidade de
trabalhar em casa e a possibilidade de interagir com pesquisadores de alto nível
também foram fatores importantes, mas talvez não o mais fundamental deles. “O
pagamento era bom”, escreveu a bióloga. “Realmente bom, especialmente
se comparado com o salário típico de uma professora assistente.”
Com o tempo, o trabalho começou a perder o charme e a bióloga passou a se ver
às voltas com conflitos éticos consigo mesma – como no caso de um
anticoncepcional que causava sangramento vaginal grave e imprevisível em algumas
mulheres. “Meu trabalho era redigir o rascunho de uma monografia que delinearia
os benefícios do produto, um dos quais, segundo o cliente, seria o fato de a
mulher poder ao menos antecipar o sangramento, embora ele pudesse ser
grave.”
A gota d’água veio na revisão de um artigo sobre uma droga contra o déficit
de atenção com hiperatividade – um distúrbio que acomete dois dos filhos da
bióloga. Na impossibilidade de discutir um ponto questionável do artigo que
estava revisando, ela decidiu abandonar a carreira de ghostwriter e
decidiu entrar em contato com o New York Times para denunciar o caso.
Ela conta ter sido ameaçada de retaliação legal por violação de uma cláusula de
confidencialidade.
A iniciativa de Logdberg é louvável, mas localizada. Em editorial sobre o tema publicado em agosto, a PLoS
Medicine admite que há novas perspectivas sobre o problema, mas poucas
soluções em vista. Um primeiro passo, como sugere o texto, talvez seja encarar o
problema de frente: “Todos envolvidos na indústria da publicação médica,
incluindo periódicos, instituições e as agências reguladoras de pesquisa
precisam tomar ações específicas para erradicar as práticas corruptas de autoria
aparentemente endêmicas que ainda existem na literatura médica – eles podem
começar admitindo a extensão do problema.”
Nota: Não é de hoje que as indústrias farmacêuticas estão envoltas em suspeitas de colocar a questão comercial totalmente acima da médica no que diz respeito à divulgação dos benefícios e e efeitos colaterais dos medicamentos. É evidente que a tecnologia médica está avançando e que isso tem contribuído para prolongar a vida e ajudar no combate a males que antes não ocorria. Mas essa reportagem serve como um importante alerta quanto à necessidade de encarar o uso de medicamentos como uma necessidade em casos clinicamente definidos. E não fazer dos remédios "amigos" constantes para toda e qualquer hora, principalmente sem prescrição de um profissional médico e como hábito de vida. Bons hábitos mesmo devem vir da prática de exercícios, alimentação saudável, repouso, exercícios físicos, entre outras rotinas que ajudam a prevenir certos males e conferem disposição a mais para o cotidiano de trabalho e afazeres em geral. Não estou advogando aqui a eliminação de medicamentos até porque isso não é razoável, mas o olho precisa estar bem aberto para essa indústria que, cada vez, mostra-se mais indigna de confiança.
Meu comentário hoje no programa Conexão NT da Rádio Novo Tempo - www.novotempo.com/radio. Quadro Conexão Cidadania.
Ontem, em pleno feriado de 7 de setembro, aniversário de 189 anos
da dita independência política do Brasil em relação ao antigo Império
português, hoje em franca decadência, uma macha contra a corrupção chamou a
atenção de muita gente. Segundo noticiou a imprensa brasileira em geral, a Marcha contra a Corrupção reuniu
milhares de pessoas em Brasília, segundo a Polícia Militar.
A Secretaria de
Segurança Pública do Distrito Federal calcula em cerca de 60 mil o público na
Esplanada dos Ministérios durante a manhã da quarta-feira. Destes, entre 45 mil e 50 mil assistiram ao desfile
militar. O público da marcha foi estimado pela secretaria em 12 mil --sendo que
parte dele assistiu ao desfile e se integrou ao protesto depois.
Independente do número, ao que parece a marcha foi organizada
principalmente através das redes sociais na web e procurou banir interesses de
partidos políticos. Se essa marcha efetivamente foi uma manifestação popular,
originária de gente que está incomodada com a sequência infindável de
escândalos públicos de maracutaias, tudo bem. Aí se enquadra em um ato de
legítima e necessária cidadania. Afinal de contas, exigir decência no serviço
público em todas as suas instâncias, diga-se de passagem, é um direito do
cidadão.
Se houver dedos de partidos políticos, então esse tipo de
manifestação perde sua credibilidade.
E vou além. Nós, cidadãos, precisamos entender que combate à
corrupção acontece desde os pequenos atos corriqueiros até as grandes decisões
que envolvem bilhões de dólares nas esferas governamentais. Devemos cobrar
idoneidade dos vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores,
ministros, presidente da República, mas precisamos agir de igual maneira em
nossas transações, em nossos dever diário. Caso contrário, é pensar que
corrupção é algo externo a nós, quando na verdade estamos totalmente envolvidos
nisso também.
Felipe Lemos é jornalista e mantenedor desse blog - @felipelemos29
Eu
me lembro do lugar onde estava naquele estranho dia 11 de setembro de 2001.
Trabalhava em um jornal, quando, a exemplo de milhões de pessoas, praticamente
assisti atônito, inerte e sem qualquer reação imediata às imagens transmitidas
em tempo real pela CNN da destruição das torres gêmeas do imponente World Trade
Center, em Nova York, capital do mundo ocidental. Depois que me dei conta de
parte da gravidade do assunto, do viés terrorista, pus-me a realizar o típico
trabalho jornalístico de contactar fontes, ler material a respeito do tema e
continuar acompanhando os primeiros comentários.
Durante
os dez anos que se seguiram e até hoje, milhares de análises e inferências
estão registradas por especialistas, analistas, sobreviventes, jornalistas e
toda a sorte de gente que se dispôs a pensar no que aquele fato representou
para a humanidade. Houve tanta repercussão sobre o episódio que o assunto permaneceu
nas discussões em âmbito mundial e no décimo fatídico aniversário está mais
vivo do que nunca.
O jornalista Geneton Moraes
Neto, repórter especial da TV Globo, por exemplo, entrevistou um soldado
norte-americano chamado Bradley Manning que se disse sensibilizado ao ver
crianças prestes a serem bombardeadas em uma das tantas batalhas dentro da
famigerada ofensiva bélica contra o Iraque, protagonizada pelos Estados Unidos,
depois dos ataques de 11 de setembro. É um lado da moeda que pouco se vê. Mas encontraram,
também, gente que chegou atrasada ao trabalho naquele dia e escapou da morte,
outros que ajudaram a resgatar vítimas e um grupo que, em meio aos escombros e
ao pânico generalizado, gravou imagens e sons. Teorias conspiratórias, de que
os Estados Unidos mesmo é quem de alguma forma produziu aquele espetáculo de
horror, também surgiram.
Apenas uma
tragédia? – Gostei do que escreveu recentemente o colunista do The Wall Street Journal, Bret Stephens.
Referindo-se à incapacidade de uma análise mais profunda do ocorrido e da
tendência de se dissociar o ato pontual naquele dia de algumas das mais
importantes repercussões que teve, ele diz que “um atodo malfoi reduzidoem
nossalinguagemrebaixadaa uma tragédia”. Concordo com ele. Não foi apenas uma
tragédia, foi um marco que deixou profundas e necessárias reflexões em relação
à geopolítica, à economia, ao comportamento humano diante de catástrofes, à
noção de segurança mundial, entre outras áreas de conhecimento.
Uma
palavra inevitavelmente adquiriu, a partir daquela data, conotação especial:
terror. Rubens Antônio Barbosa, que à época era embaixador do Brasil nos
Estados Unidos, em um longo artigo diz que “os
atentados de 11 de setembro trouxeram o item terrorismo para o centro da agenda
internacional, onde ela deverá permanecer no futuro previsível”. A era do
terror foi oficialmente instalada pelos Estados Unidos com inimagináveis
efeitos para a sociedade mundial. Não estou falando apenas de maior controle e
rigor nos aeroportos internacionais e nem nas mudanças nos alertas de segurança
que normalmente fazem parte da relação entre os países, mas da sensação
psicológica provocada.
A percepção
de uma iminente e constante ameaça terrorista, combinada às guerras promovidas
pelos EUA e aliados ao Iraque e Afeganistão, deixou muitas pessoas com a
impressão de que estamos todos vulneráveis e inseguros. Ou seja, não há mais
segurança no mundo depois de 11 de setembro de 2001. O governo norte-americano demonstrou
que a solução era prender e/ou matar terroristas nem que para isso fosse necessário
destruir tudo o que estivesse à frente. Mas desde então, apesar de todo esse
esforço político, o mundo não está mais seguro e a paz não está mais próxima do
que estava nas eras de conflitos anteriores.
Dependência – A vulnerabilidade
quase sempre pressupõe dependência. Se o planeta pós-11 de setembro está mais desprotegido
do que antes, torna-se dependente de algum ato que possa tirá-lo dessa
condição. Os organismos internacionais políticos e religiosos se apresentam com
suas soluções caseiras; seus atos, suas reuniões, suas propostas de paz, seus
acordos, seus movimentos ecumênicos, seus discursos conciliatórios. A
turbulência mundial continua soando nos ouvidos de muitos. O ambiente dez anos
depois de 11 de setembro não é dos melhores. Crises econômicas, falência moral
de governos e de instituições públicas e o conceito do terror pairando sobre a
mente da população exigem uma ação efetiva, pois estamos dependentes de uma
saída.
Não é fatalismo, mas realismo. Isso me faz pensar em um
discurso muito estranho de Jesus Cristo a Seus discípulos pouco tempo antes de
Sua morte. Cristo predisse muitas dificuldades para aqueles que O seguiam,
tanto em relação à destruição do templo em Jerusalém (70 d.C.) quanto aos
tempos finais em um futuro distante para eles. Mas no evangelho de Lucas,
capítulo 21 e versículo 28, Ele dá um alento curioso: “quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai
as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima”.
Desde o 11 de setembro, olha-se muito para os lados, para
as providências humanas que praticamente resultado algum têm trazido aos
dilemas que se vive. O convite de Jesus Cristo parece mais sábio. Olhar para
cima, encontrar em Deus respostas que se buscam diante desse senso (fabricado
ou não, mas que existe hoje) de insegurança pessoal, de medo do desconhecido,
de um terror que não se sabe direito o que é e nem quem é. Talvez essa seja a
dependência de que precisamos.
Igrejas e cultos brasileiros vêm expandindo sua presença na
capital britânica nos últimos anos, segundo analistas e líderes religiosos
ouvidos pela BBC Brasil.
Só as igrejas evangélicas brasileiras em Londres já são mais de 80, de acordo
com a Pastoral Alliance, que reúne pastores evangélicos na Grã-Bretanha, e a
estimativa não inclui a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem 16 templos na
cidade.
Na lista do Consulado do Brasil, há cerca de 50 diferentes denominações
registradas.
"Enquanto nos anos 90 havia poucas igrejas evangélicas brasileiras em
Londres, esse número vem crescendo rapidamente, com a maioria das igrejas tendo
sido fundada no início dos anos 2000", diz Daniel Clark, pesquisador da
University of Wales.
A Capelania Católica Brasileira, que começou a funcionar em Londres há 15
anos com apenas uma missa semanal em português, já celebra missas em seis
igrejas espalhadas pela cidade, por exemplo. E basta olhar os classificados de
uma das várias revistas destinadas à comunidade brasileira em Londres para
encontrar também informações sobre centros espíritas e terreiros de umbanda e
candomblé na capital britânica e seus arredores.
Religiões de origem amazônica, que utilizam o chá ayahuasca (ou hoasca) em
seus rituais – como o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e o Santo
Daime - também estão presentes na capital britânica.
"É a exportação de uma cultura. Um dos temas culturais do Brasil é a
diversidade religiosa e isso acaba se reproduzindo no exterior", diz Pedro
Strozenberg, secretário-executivo do Iser, o Instituto de Estudos da
Religião.
Missões
Segundo pesquisadores, após séculos como destino de missões religiosas, o
Brasil começou, nos anos 80, a exportar igrejas e cultos junto com as levas de
brasileiros que migravam para o exterior.
O Brasil pode ser visto como a maior nação católica do mundo, a capital
mundial do espiritismo e o país com a segunda maior comunidade de protestantes
praticantes - atrás apenas dos Estados Unidos em números absolutos - além de ser
o berço de diversas outras crenças.
Hoje, a multiplicidade de credos vista no Brasil se reflete nos países em que
a comunidade brasileira ganha peso.
"Em linhas gerais, o que acontece é que quase todo o campo religioso
brasileiro se reproduz no exterior, mas não nas mesmas proporções em que existem
no Brasil. O pentecostalismo, por exemplo, que cresce muito em termos de
visibilidade no Brasil, se torna ainda mais visível no exterior", diz Paul
Freston, professor catedrático em Religião e Política em Contexto Global da
Wilfrid Laurier University, no Canadá.
Para a pesquisadora Christina Vital, professora de antropologia da
Universidade Federal Fluminense, isso talvez possa ser explicado pelo sucesso
das igrejas evangélicas em ajudar a solucionar problemas frequentemente
enfrentados pelos imigrantes brasileiros.
"As missões dessas igrejas são voltadas a proporcionar uma rede de proteção
espiritual e material para pessoas que estão nas margens da sociedade. Isso
também pode incluir a questão da ilegalidade para imigrantes."
Dinâmica religiosa
"O catolicismo é mais lento para se deslocar.
As igrejas evangélicas em geral têm mais facilidade, porque estão mais
descentralizadas."
Paul Freston, professor da Wilfrid Laurier
University
Paul Freston diz que as igrejas evangélicas brasileiras no exterior ajudariam
seus fiéis a manter uma atitude positiva em relação ao trabalho duro que muitos
deles têm de fazer, além de estabelecer redes de contato que ajudariam os
imigrantes a encontrar lugares para morar e trabalhar.
As igrejas evangélicas também seriam muito mais rápidas em acompanhar a
movimentação de brasileiros ao redor do mundo, principalmente as
pentecostais.
"O catolicismo é mais lento para se deslocar. As igrejas evangélicas em geral
têm mais facilidade, porque estão mais descentralizadas, são mais autônomas e
abertas à iniciativa leiga. Elas acompanham com mais facilidade os movimentos
populacionais", diz Freston.
Um exemplo disso é o Ministério Luz para os Povos, que abriu sua primeira
igreja em Londres há apenas um ano.
Anne e Olair são os pastores do Ministério Luz para os Povos em
Londres
Os pastores Olair e Anne Oliveira, que já faziam parte da igreja em sua
cidade natal, Trindade, a 17 quilômetros de Goiânia, vieram para Londres em
2008.
Na capital britânica, eles frequentaram outras igrejas enquanto ele
trabalhava como operário de construção e ela, como faxineira e babá, até que
eles decidiram entrar em contato com a coordenação do Ministério Luz para os
Povos na Europa e abrir uma igreja em Londres.
"Hoje, temos cerca de 40 fiéis frequentando o ministério. A maioria deles é
de brasileiros, mas temos também portugueses, africanos e italianos", conta o
pastor Olair.
Segundo os pesquisadores, a falta de dados concretos sobre a população
brasileira no exterior – estimada em algo entre dois a três milhões de pessoas
em todo o mundo, muitos deles ilegais – torna muito difícil estimar com precisão
o número de frequentadores de cada um dos cultos e igrejas de origem
brasileira.
"No Brasil, há o censo, que pergunta com que religião o entrevistado se
identifica e com que frequência pratica sua crença. Sobre a comunidade
brasileira em Londres, não temos dado nenhum. Não se sabe universo total, nem
com que religião as pessoas se identificam", diz Freston.
"Além disso, é um universo muito fluido, há igrejas fechando, enquanto outras
surgem a todo momento."
Nota: Esse dito crescimento, pontualmente entre imigrantes, evidencia algumas coisas. Pelo menos em uma observação rápida, é possível deduzir que os habitantes locais não parecem muito interessados, em sua maioria, pela religião e por algum contato maior com Deus. O jeito, então, na ótica de pessoas que estão abrindo igrejas por lá, é trabalhar com quem é estrangeiro e teoricamente estaria mais suscetível à influência religiosa, sobretudo evangélica. Por outro lado, esse conceito de "exportação religiosa" soa perigoso. Que tipo de conceito está sendo "exportado"? Seria, por acaso, a religião sem compromisso com obediência a Deus, mas apenas interesse em encontrar solução para questões materiais e temporais? Receio que o mesmo fenômeno que tem ocorrido por aqui no Brasil (comercialização da fé) esteja sendo levado para países historicamente secularizados como a Inglaterra em uma tentativa, apenas, de se encontrar um novo filão para quem enxergar religião apenas como um negócio lucrativo. Não tenho direito de julgar as atitudes de quem está abrindo templos ou serviços religiosos por lá, ainda mais por não conhecer a fundo a estrutura, mas pelas informações da série de reportagens da BBC Brasil, é algo a ser pensado de maneira crítica e racional. A expansão da fé cristã é uma verdade incontestável, mas, ao mesmo tempo, o crescimento do conceito de mercantilização da religião também é percebido com grande força. E não seria uma má ideia, para os aproveitadores de plantão, criar novos nichos de negócio além-mar. Em detrimento, é claro, da fé simples descrita na Bíblia Sagrada.